A Esperança é uma pequena aldeia no Alto Alentejo. É uma das três freguesias do concelho de Arronches, no distrito de Portalegre. Com pouco mais de 57 quilómetros quadrados, a freguesia da Esperança estende-se até junto da fronteira com Espanha e integra a área protegida pelo Parque Natural de S. Mamede. De acordo com os Censos 2011, habitam na freguesia 739 pessoas. Se como em muitas aldeias portuguesas, a estatística revela uma população envelhecida, não deixa de haver na Esperança sangue jovem, com 21 crianças com menos de seis anos e mais de 10% da população com idade até 14 anos.

O povoamento da freguesia da Esperança perde-se no tempo mas está registado. Particularmente em dois importantes abrigos com pinturas rupestres: Vale de Junco e Pinho Monteiro, respetivamente Monumento Nacional e Imóvel de Interesse Público. Este património de valor inestimável levou mesmo a que, em meados dos anos 80 do século XX, a Esperança fosse apelidada de capital do rupestre português. As pinturas, bem como outros elementos da cultura esperancense, podem desde 2013 ser compreendidas no Centro de Interpretação da Identidade Local construído na aldeia.

Mas a Esperança não é só passado. Quem visita a freguesia no presente não deixará de admirar a beleza bem presente da ermida do Rei Santo, recentemente recuperada depois de cinco séculos a contemplar a paisagem a perder de vista. Ou a Igreja Matriz, bem no centro da aldeia, construída no século XVI e reconstruída no século XVIII, onde se guarda um importante retábulo renascentista. E há o casario, orgulhosamente caiado de branco e pontuado por azul e ocre. E há a escola, o lar, o centro cultural e o centro de saúde, provas vivas de que a Esperança sabe e gosta de cuidar dos seus filhos. Os que ao longo dos anos ficaram na aldeia são pessoas de entreajuda e de bem receber. Gente de trabalho que em boa parte se dedica à exploração agrícola, sendo a olivicultura e a pecuária as principais produções numa freguesia onde também se destaca a exploração de cortiça e a panificação.